Marte: Missão impossível

Além da falta de verbas, engenharia e medicina, a NASA deverá enfrentar vários obstáculos para levar o homem ao planeta vermelho.

O genoma foi a estrela da reunião anual da AAAS (Associação Americana para o Avanço da Ciência, na sigla em inglês), que terminou anteontem, mas viagens espaciais também sempre atraem um público fiel.

Estava lotado o auditório do seminário “Exploração Humana do Espaço”. Cientistas e médicos da Nasa (agência espacial norte-americana) apresentaram os principais desafios de uma futura missão tripulada a Marte, que ainda não tem data definida, mas podem ocorrer em duas décadas (se a Nasa conseguir aprovação e verbas do Congresso dos EUA).

A viagem duraria cerca de 30 meses, disse John Charles, do Centro Espacial Johnson. Seriam 6 meses para ir, 18 meses no planeta  e seis meses para voltar.

Porque Marte ?

Christopher Mckay, do Centro de Pesquisa Ames, na Califórnia, abordou um ponto em geral deixado de lado: Porque ir a Marte ?

Marte é um planeta frio e aparentemente morto. Mas existem indicações de que, há 3,5 bilhões de anos, havia muita água lá.

Também teria havido atividade vulcânica e uma atmosfera mais densa que hoje, composta basicamente por dióxido de carbono.

“Nesse tempo, Marte era muito parecido com a Terra. Como nos consideramos o que há de mais interessante no Sistema Solar, quando vemos algo que se parece conosco queremos estudá-los.”

Para ele, a questão principal é descobrir se houve em Marte uma segunda gênese da vida. Isto é, se a forma de vida que teria se originado lá segue tendência evolutiva diferente da nossa.

“Se for a mesma vida, levada de Marte para cá ou vice-versa, não avançaremos muito na compreensão dela. Caso seja um tipo totalmente diferente, isso pode indicar que o Universo está cheio de vida, surgida em lugares antes considerados inóspitos.”

Para comprovar algumas dessas possibilidades, será preciso obter organismos não-fossilizados (congelados, por exemplo), para decifrar seu “código genético”

Deterioração do corpo

Uma das maiores preocupações de uma missão desse tipo é a saúde dos astronautas. “A imagem da chegada do cosmonauta russo Sergei Krikalev, que passou mais 400 dias no espaço, foi marcante. Ele é um homem grande, forte, mas estava totalmente debilitado” afirmou Laurence Young, diretor do Instituto Nacional de Biomédica Espacial.

Young discutiu os problemas de saúde já conhecidos para permanências relativamente curtas no espaço. Em primeiro lugar, logo após a decolagem, 90% dos astronautas sofrem enjôo por falta de orientação espacial.

Assim que o astronauta começa a flutuar pela nave, ele perde o sentido de “em cima” e “embaixo”, que de fato não existem no espaço, mas o cérebro está programado dessa forma, o que causa vômitos e desorientação.

Outro problema que logo aparece é inchaço no rosto. Sem  a gravidade, o fluido corporal que geralmente se acumula na parte inferior do corpo acaba migrando para o abdome e o peito. O corpo logo começa  a combater reduzindo a sede.

Com a falta de peso do corpo, os músculos sofrem redução e os ossos começam a se deteriorar – são tecidos vivos em constante renovação, que é freada – a uma taxa de 1% ao mês. Numa viagem longa, isso se torna intolerável.

Mais preocupantes ainda são as conseqüências do confinamento da equipe de seis ou oito tripulantes em um espaço, sob estresse.

Uma forma de reverter vários dos problemas é gravidade artificial, descrita pelo escritor de ficção cientifica Arthur C.Clarke em “2001:Uma Odisséia no Espaço”.

“Uma nave em um grande eixo de rotação é uma idéia romântica, mas totalmente impraticável”, afirmou Young. O laboratório do pesquisador está desenvolvendo mecanismos com pequenos eixos de rotação, que poderiam ser usadas como cápsulas para dormir.

“O principal problema é que os astronautas saem dele totalmente desorientados”, disse Young.

 

Missão impossível

 Uma viagem de 30 meses ao planeta vermelho não é apenas questão de engenharia.

Roupas

 Ainda não existe uma forma de lavar roupas em gravidade zero. Uma tripulação de seis pessoas precisaria de uma quantidade de roupas para encher um foguete.

 Alimentação

 Obter nutrientes em quantidade suficientes com alimentos desidratados ainda não é possível.

  Comunicação

  Em certos trechos da viagem, ondas de rádio demorariam 22 minutos para atravessar o espaço entre a nave e a Terra. Um “telefonema espacial” teria pausas de 44 minutos entre as falas.

   Faxina

   Tédio não seria problema para os astronautas. Estima-se que entre 60% e 70% do tempo seria gasto com a manutenção, limpeza e organização da nave.

  Terapia

A NASA, decidiu reforçar o suporte psicológico dos astronautas, que teriam um tempo diário para contato com a família e os amigos.

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3 comentários em “Marte: Missão impossível

  1. Pedras, desertos e gases em estado líquido, é isso que deverão encontrar nas buscas espaciais, ou estamos sozinho ou a vida é muito rara, tão rara que os planetas habitados estão a distâncias imagináveis.

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